"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens".
FOI LÁ EM BOTAFOGO numa agradável noite de sexta-feira que encontrei Dionísio, o deus grego, e Baco, o romano. No palco do EcoShow, eles estavam na pele de Suely Mesquita e Eugenio Dale, respectivamente. Estes dois parecem muitos mais ao proporcionarem ótimas composições aliadas a um contagiante balanço. Compositor, produtor, arranjador, instrumentista e ainda cantor, Eugenio Dale é vários. Trafega por estilos e funções bem diferentes. Em 2010, por exemplo, produziu gravações de Elza Soares, Maria Gadu, Robertinho Silva e Anna Ratto. Como arranjador e instrumentista trabalhou com Dominguinhos, Baby do Brasil, Blitz, Fernandinha Abreu, Katia B, Vitor Ramil, Sadao Watanabe, Tania Alves. O Eugenio “Baco” compõe ainda para cinema e seus trabalhos podem ser ouvidos no Sexo, Amor & Traição, de Jorge Fernando; Sejo o Que Deus Quiser, de Murilo Salles; e Sonhos Roubados, de Sandra Werneck. Suely, que completou 30 anos de MPB, é tantas, que até já perdeu a conta: ex-fotógrafa, escritora, cantora e compositora. É dela, em parceria com Pedro Luis, a música tema de Fred, personagem de Reynaldo Gianechinni na novela Passione - “Animal/ Bem que quando o seu sangue pensa/ É feito um rio que se adensa (...)/ E os exercícios sábios somem/ E só parece sábia a natureza e o que os bichos comem”. Suas músicas foram gravadas pelos parceiros Fernando Abreu, Paulinho Moska, Ney Matogrosso com Pedro Luís e a Parede, Celso Fonseca, Zélia Duncan, Chico Cesar e Zeca Baleiro, entre outros. Os dois se reinventam o tempo todo e enchem o pequeno palco de vozes, violões, tamborim, pandeiro e cajón, mostrando as canções do primeiro CD Dio&Baco, em fase de gravação e com excelentes participações. Na sexta, por exemplo, quem acompanhou a dupla foi Arícia Mess, que soltou a voz na fabulosa Zona e Progresso: “Dionísio é o deus da zona/ zona sagrada/ gen do zen genial/ lugar do bem e do mal”. Pactocombaco, de Eugenio, abre o show e dá o tom do suingue que vem pela frente. O lado zen da dupla aparece no mantra Até que chova dinheiro “Quero cantar no chuveiro/ pra sair com a alma lavada / até que chova dinheiro/ sem a gente fazer nada”. Depois disso a sussurrante Kriptonita e uma homenagem a Nelson Motta, com a canção Sem Capotta. Mas claro que não poderia faltar a intimista Qualquer Lugar, que está em Sexo Puro, o segundo CD de Suely - “vamos nos encontrar no metro/ na porta do trem as 10 para as 6/ confundidos no rush com outros passantes no meio da rua/ sem querer nos ver’’). Gravado de forma independente, o álbum vai ser a porta de entrada para estes dois talentosos músicos mostrarem seu trabalho Brasil afora. Agora, é pegar a estrada e se entregar aos prazeres da vida de Dio&Baco. Para quem ficou curioso e quer mais é só acessar WWW.dioebaco.com.br e /ou WWW.suelymesquita.com.br/diobaco. Foto do show é de Glaucio Atayala.
O SOM DELES É vibrante, requintado e sensual, uma mistura de tango e música eletrônica que mexe com o corpo e com a alma. Formado pelo francês Philippe Cohen Solal, o suíço Christoff H. Muller e o argentino Eduardo Makaroff, o Gotan Project se apresentou quarta-feira à noite no Vivo Rio reforçado. Lá estavam os elegantes e talentosos Facundo Torres (bandoneon), Ananta Roosend (violino e sopro), Lalo Zanelli (piano) e a simpática vocalista Claudia Pannone. Em sua terceira passagem pelo Brasil, o grupo apresentou alguns sucessos dos dois primeiros discos – La Revancha del Tango e Lunático – mas centrou-se no excelente álbum lançado neste ano: Tango 3.0. Um dos pontos altos foi a homenagem ao autor argentino Julio Cortázar, com a música Rayuela, mas as execuções das fantásticas Peligro e Tu Misterio, me fascinaram. Num telão atrás dos músicos eram exibidas imagens e clipes, e quando dois rappers apareceram no imenso telão mesclando suas vozes com o som do Gotan, o público delirou. E eu fiquei com a certeza de que eles, dos grupos de eletrotango, são os que conseguem o que parece impossível: juntar o moderno ao clássico, numa mistura de arrepiar. Aplausos, gritos e assovios e o Gotan voltou, depois de quase 2 horas de show, para apresentar o “bis”: Santa Maria (del Buen Ayre) e Immigrante. Quando terminou fiquei com um gosto de quero mais. Quem tiver em Salvador, em 13 de outubro, ou em Porto Alegre, dia 15, não pode perder a oportunidade de sentir essa mistura, que deu outra roupagem ao tango, mas sem deixá-lo perder a essência.
QUERO VIVENCIAR UMA SÓ ELEIÇÃO sem pesquisas de opinião; sem programas de TV (deveriam ser pagos, como as publicidades e ainda ao vivo); sem a imprensa que se diz neutra (vivas ao Estadão que se posicionou), sem debates (porque o que vi nestas eleições em Santa Catarina foram conversas de comadres e compadres, já com Alzheimer) e sem o voto obrigatório. Seria a glória, não?
Como esse tempo ainda não chegou vou abordar dois temas: debate e pesquisas. Na RBS ontem à noite a candidata do PT, Ideli Salvatti, levou o líder das pesquisas, Raimundo Colombo (DEM), para a UTI do Hospital Tereza Ramos, em Lages, ao denunciar que uma equipe de filmagem entrou no centro cirúrgico para gravar cenas para os programas do horário político. Colombo sequer pediu direito de resposta, apenas disse que não houve prejuízo para a atividade do centro cirúrgico, não negando o uso do espaço público. Pela lei, é vedado o uso de bens públicos em campanha eleitoral. A denúncia foi feita ao Ministério Público. (leia mais www.deolhonacapital.com.br). O que vai ocorrer?
As pesquisas diferem. Enquanto a última encomendada pelo jornal Notícias do Dia dá vitória para Colombo no primeiro turno, o Ibope deixa dúvidas no ar, com o candidato do DEM na frente e Angela Amin em segundo lugar. Já outra pesquisa, a Vox Populi, solicitada pela Fecesc (Federação dos Trabalhadores no Comércio do Estado de Santa Catarina), coloca Ideli no segundo turno, num empate técnico com Angela, ou seja, uma delas chega lá. Trocando em miúdos tudo pode acontecer em Santa Catarina. É aguardar o domingo à noite. Será fantástico?
DEBATE NA UFSC Uma ótima oportunidade para discutir as eleições 2010 será hoje (30), a partir das 19 horas, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC. Entre os debatedores estão os professores e cientistas políticos da universidade Hector Leis, Erni Seibel e Remy Fontana.
LEMBREI DA MINHA VÓ Julia Vasquez ao ler, no final da tarde de quarta, o blog do Josias de Souza (http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/) com a irritação de Serra, que ameaçou interromper a entrevista de quatro blocos na TV com a Márcia Peltier. No primeiro bloco o homem se destemperou, disse que o programa tinha sido montado, insinuou que a jornalista era simpática à candidatura de Dilma, tudo isso gravado por uma repórter do Terra. O vídeo se espalhou pela internet e nos comentários sempre o bom-humor brasileiro: Dilma é do PT, Serra é do Piti, numa alusão ao comportamento do candidato. Para o jornalista da Folha de S. Paulo, se o telespectador visse tudo talvez concluísse que, em matéria de liberdade de imprensa, o tucano se aproxima do PT José Dirceu, para quem há “abuso no poder de informar”. Na quinta, o mesmo destempero. Só que do prefeito de Florianópolis, Dário Berger (PMDB), que teve seu carro oficial pego pela Polícia Federal. O Vectra preto conduzido pelo motorista do prefeito transportava, no bagageiro, propaganda política da ex-mulher e do ex-governador. Em entrevista ao Diário e depois à rádio CBN, o prefeito passou do ponto e também teve “Piti”, sempre no seu estilo reclamão, dizendo ser um perseguido político. O ápice chegou na pergunta: Transportar material em carro oficial pode? Dá uma conferida no blog do Valente - www.deolhonacapital.com.br Alguém tem de avisar aos dois que já não são os guris “mimados da mamãe”, como dizia a “véia Júlia”. A oposição, o exercício do argumento e o equilíbrio estão em extinção?
Dica de Pablito O guitarrista uruguaio radicado na Argentina, Nicolás Ibarburu ou Nico Ibarburu, apresenta o seu primeiro trabalho solo Anfíbio. Para quem gosta do estilo musical de Fito Paez, de Ruben Rada, de Spinetta, de Horacio Ferrer, de Jaime Ross e de Hugo Fattoruso, com quem Ibarburu já dividiu o palco, vale conferir o som.
Forró na Lagoa É amanhã, dia 16, a estréia do Forró na Lagoa, no seo Beltrano, ali na Afonso Delambert, não tem? Miltinho Eriberto convida Tatiana Cobbett e Marcoliva e o trio promete convidados surpresa! Uma boa dica para uma quarta-feira às 21 horas.
ESSE LULA FAZ COISA... No maior colégio eleitoral de Santa Catarina, Joinville, Lula soprou fogo contra o DEM – a família Bornhausen em especial. Foi o que bastou para acender até então a morna campanha catarinense. Em nota na terça pela manhã o deputado Federal Paulo Bornhausen, filho de Jorge, reagiu. “Para pronunciar o nome dos Bornhausen dentro de Santa Catarina, Lula tem que estar são e lavar a boca antes”, disse o deputado federal do DEM. O bate-boca continuou no meio da tarde com o secretário de Comunicação do Diretório Estadual do PT, Murilo Silva. “Para pronunciar o nome dos Bornhausen em SC precisa-se apenas de lucidez política”. E vem mais lenha nessa fogueira de setembro. Quem será cozido antes do tempo?
NO http://sul21.com.br/jornal/2010/09/pt-e-dem-trocam-farpas-e-aquecem-campanha-de-santa-catarina/ tem mais informações sobre a temperatura da campanha catarinense.
Ao fazer frilas sobre a eleição em Santa Catarina, entre eles para o www.sul21.com.br, fiquei impressionada com os números da pesquisa Vox Populi publicados no jornal Notícias do Dia, na edição do final de semana 4 e 5 de setembro. Nas respostas espontâneas, 54% não sabem em quem vão votar e 4% já optaram pelo voto nulo ou branco. Essa montanha de indecisos pode eleger um dos três candidatos – Angela Amin, Raimundo Colombo ou Ideli Salvatti - vou colocar nesta ordem, porque pode vir algum “patrulhador de plantão” e dizer que estou favorecendo este ou aquele candidato. Mas porque o trio não levanta a galera? Toda essa montoeira de gente, que não sabe pra que lado pega, é um indicativo da mesmice dos programas de rádio e tv. Se você conhece alguém que vê diariamente os programas e não trabalha para esses partidos, por favor, LIGUE JÁ!!!!. É uma pérola para uma entrevista diferente. Para preparar as perguntas e depois fazer o texto vi os programas, alguns, inclusive, várias vezes, conferindo gastos chavões. Sofri. Que mesmice! Quantas cópias fiéis de programas de eleições anteriores, como se o atento espectador não tivesse memória. Quantas surradas fórmulas, como a de copiar um programa de tv, trocar nomes, a do mágico bom moço e a do experiente prefeito. Essa por exemplo, me levou de volta ao passado, quando no quadrado da TV planava, num tapete preto voador, o Dário. Era como um ilusionista que ia dar mobilidade de Norte a Sul, de Leste a Oeste, sem cair no buraco. Vamos ver se depois do dia da Independência vem coisa nova na telinha. Tem coisa que a gente já viu, não tem? E aí? Você também é um (a) indeciso (a)?