Fotos Pablo Corti |
É preciso saber viver
O tremendão Erasmo Carlos ocupou o
palco do CIC e cantou seus 50 anos de estrada. Foi do rock’n’rolll aos quartos
de motéis, passando pelo meio ambiente, com flores e baleias, sempre
acompanhado de um coro feminino, em maioria na platéia que lotou o teatro.
O setentão de calça apertada e surrada e jaqueta de couro
convocou o experiente maestro José Lourenço e uma banda de jovens da pesada,
duas guitarras, um violão, um baixo e uma bateria – a festa não podia ser
outra, foi de arromba, principalmente na parte mais rock’n’rolll. Mas teve também
o momento intimista, piano e voz, num popurri cheio de amores e desamores com Detalhes, Olha, Emoções, Proposta, Café da Manhã e muito mais.
Com ótima luz, bons efeitos visuais e um som que puxou um pouco
para o grave, o show teve o mesmo roteiro do DVD 50 anos, sem o baterista original
e sem o guitarrista Dadi (Cor do Som). Um ponto me chamou a atenção, mas não
chegou a comprometer: o palco montado mais para o fundo separou o tremendão de
seu público, por sinal muito fiel.
Ao meu redor vários fãs cantaram, desafinaram,
gritaram, dançaram, bateram palmas, tiraram fotos, filmaram, pediram bis e não
fizeram, em nenhum momento, cara de mau. Gostei da canção Gatinha Manhosa e dos solos de guitarra de Quero que vá tudo pro Inferno, além de outros antigos sucessos com
novos arranjos, o que mostra a versatilidade do músico.
E como sempre tem um Roberto na beira do caminho de Erasmo,
ele cantou a música Cover, com um cover
de Roberto atirando rosas para a plateia. No final, mais rock’n’rolll na veia.
Para muitas que lá estavam, Erasmo não é o cara, mas um homem pra chamar de seu.